IDEIAS

Veículos elétricos: conheça os métodos de recarga

Quinta-feira, 20 Abril de 2017

Quando uma nova indústria está em seus estágios iniciais, naturalmente há muito trabalho a ser feito. É preciso não apenas buscar novos consumidores, e convencê-los das vantagens de usar um produto recém-chegado ao mercado. Também se faz necessário estabelecer todo um ecossistema que dará suporte a esses clientes, enfim, solucionar uma série de questões que giram em torno daquela inovação. Quando essa transformação envolve uma indústria de bilhões de dólares, as perguntas a serem respondidas são muitas. E este é justamente o caso dos veículos elétricos, tecnologia considerada pela AES Brasil como um dos principais direcionadores de inovação para o futuro do setor elétrico.

O site da Inovação AES já discutiu a questão dos veículos elétricos sob alguns ângulos. As barreiras que ainda dificultam sua popularização no Brasil e o exemplo de empresas que crescem no mercado se aproveitando da onda favorável às tecnologias limpas e renováveis. Neste artigo, vamos falar de um outro elemento-chave dessa cadeia: as técnicas e métodos de recarga para esses equipamentos de transporte.

Para que os VEs se popularizem, a rede de postos de recarga é um dos pontos que precisam estar amarrados. Pense no caso dos automóveis movidos a combustão interna. Eles dispõem de uma vasta rede de postos para reabastecer, e graças a ela, é possível se deslocar com esses veículos de um ponto ao outro, sem o medo de acabar empacado na estrada com o tanque vazio. Mas com os elétricos, a coisa é um pouco diferente. Como a tecnologia de recarga é outra (baseada em baterias instaladas nos carros, e não em reservatórios), uma nova rede se faz necessária, considerando o fato também de que é possível fazer a recarga na própria residência.

No mundo todo, essa discussão está em andamento, e envolve empresas de energia, órgãos regulatórios e fabricantes de veículos. A principal questão é: no longo prazo, qual será a tecnologia predominante de recarga, a mais interessante para o mercado e para os consumidores?

Modalidades de recarga

Essencialmente, há quatro situações em que um veículo elétrico é carregado. Os equipamentos que realizam esse processo são chamados de EVSE (electric vehicle supply equipment, ou equipamento de suprimento para veículo elétrico):

Quando um veículo é recarregado em casa, esta costuma ser chamada de recarga lenta, pois ocorre durante a noite, e exige longos períodos para ser completada, de até oito ou dez horas. O equipamento pode ser conectado à rede doméstica, e é uma boa opção para trajetos rotineiros, como da residência ao local de trabalho.

A recarga rápida geralmente ocorre em estações externas, dedicadas aos EVSE, que se assemelham à estrutura e lógica dos tradicionais postos de gasolina. Espera-se, aqui, que o motorista recarregue seu veículo rapidamente para que ele possa seguir viagem com a maior autonomia possível. Existem múltiplas empresas trabalhando nessa tecnologia e ainda não existe um padrão universal para ela. De maneira geral, elas devem carregar o suficiente para dar ao veículo uma autonomia de 100 km entre 10 e 30 minutos. A rede CHAdeMO, por exemplo, oferece uma técnica de recarga rápida que entrega até 62.5 kW de corrente direta por meio de um conector proprietário. Essa técnica consegue carregar um veículo com autonomia de 120 km em menos de 30 minutos. Outros sistemas incluem o Combined Charging System, protocolo adotado por diversas fabricantes automobilísticas, como a BMW, GM e Volkswagen, e a tecnologia proprietária da Tesla, a rede batizada pela empresa de Tesla Supercharger. Como o processo de recarga, mesmo nesses casos, pode demorar mais do que um tradicional reabastecimento, uma estratégia muitas vezes adotada pelas empresas é oferecer esse serviço próximo a outras facilidades, como mercados e shopping centers.

Uma terceira possibilidade é a recarga por troca de baterias. Neste caso, não há uma recarga no sentido tradicional, e sim uma substituição completa do equipamento esgotado por uma bateria cheia. A operação ocorre também em uma estação dedicada a isso, e uma das principais vantagens é a velocidade com que a troca é feita, sendo necessários apenas alguns minutos. A Tesla foi uma das que chegou a anunciar planos ousados, de estabelecer uma malha de centros para troca de bateria, mas acabou mudando o curso dos planos, priorizando sua rede Supercharger. Do lado negativo, a tecnologia proprietária tem sido um dos motivos que têm bloqueado um avanço mais rápido dessa técnica.

Finalmente, uma tecnologia com ares ainda mais futuristas, mas que tem recebido grande atenção e gerado interesse, é o de carregamento por indução eletromagnética. O processo se baseia na transferência de energia entre dois objetos por meio de um campo eletromagnético. Isso permite que a recarga seja feita sem a necessidade de cabos conectando o veículo à estação. Um exemplo de uso dessa tecnologia é o Plugless Power, da Evatran, um sistema de recarga por indução para veículos elétricos compatível com modelos como o LEAF, da Nissan, o Model S, da Tesla, e o Volt, da Chevrolet. No caso do Model S, por exemplo, o Plugless Power consegue fazer uma carga equivalente a 40 km de autonomia por hora, sem fios, através do ar. Essa é uma tecnologia que abre muitos caminhos de inovação. Há pesquisas que exploram, inclusive, a possibilidade de instalação de equipamentos de recarga por indução no solo, em vias públicas, para que veículos particulares e de transporte público possam se reabastecer ao parar sobre essas áreas designadas. É o caso dos estudos realizados pelo Korea Advanced Institute of Science and Technology (KAIST), que deu origem ao sistema OLEV, ou Online Electric Vehicle.

Este pequeno resumo das principais técnicas de recarga para veículos elétricos transmite um pouco dos desafios que empresas e órgãos reguladores enfrentam na hora de decidir em qual tecnologia investir, na busca de popularizar os veículos elétricos e estabelecer uma rede básica de infraestrutura. Simultaneamente, essa riqueza de opções também abre portas para empreendedores que queiram colaborar com esse processo. No caso do Brasil, especificamente, qual seria a melhor maneira de alavancar a inovação nessa área? Essa é uma pergunta importante, sobre a qual muitas mentes se ocupam neste momento, para facilitar e promover a tecnologia dos veículos elétricos no país.

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