NA AES

Italo Freitas: “G.D. será uma das maiores fontes de energia”

Quarta-feira, 17 Maio de 2017

Pense num cenário em que uma pessoa pode gerar sua própria energia, por meio de modernos sistemas tecnológicos de captação solar, armazená-la em sua própria casa, com o auxílio de avançados conjuntos de bateria, e até mesmo comercializar o seu excedente, ganhando dinheiro com isso. O presidente da AES Tietê, Italo Freitas, não aposta apenas que essa será a realidade para muitos brasileiros em poucos anos. Ele afirma que a geração distribuída será uma das maiores fontes de geração de energia no Brasil, e o futuro do setor.     

Nesta entrevista exclusiva ao site da Inovação AES, Italo explica sua visão e detalha quais áreas considera mais promissoras no horizonte da energia. Ele compartilha também sua opinião sobre a importância do atual programa de P&D do setor elétrico e discute como ele pode servir de exemplo no estímulo à inovação em outros ramos da indústria nacional. Confira:

O QUE É INOVAR EM UMA EMPRESA DE ENERGIA HOJE? 

O setor elétrico passa por um momento peculiar em seus 150 anos de história. O poder do cliente está cada vez mais presente. Quando falamos em poder, nos referimos ao fato de que hoje o usuário pode gerar sua própria energia, acumulá-la e até mesmo comercializá-la. A inovação passa então por uma nova fronteira, onde o cliente está empoderado e pode gerenciar suas demandas energéticas.

NA SUA OPINIÃO, QUAIS AS ÁREAS MAIS PROMISSORAS PARA INOVAR NO SETOR ELÉTRICO? 

Ao meu ver, as áreas mais promissoras são a da geração distribuída e a de resposta à demanda. A geração distribuída se refere à instalação de placas solares nos tetos dos clientes, às microcentrais hidrelétricas e à microgeração térmica. Na resposta à demanda, falo de controle de consumo interno,  das casas, indústrias e comércio, ou seja, a possibilidade de controle de consumo, sinônimo de liberação de energia no sistema.

QUAL O PAPEL DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA NESSE FUTURO ENERGÉTICO?

A geração distribuída terá, nos próximos anos, um papel importantíssimo no cenário energético brasileiro. Obviamente, existe a necessidade de ajustes regulatórios, e assim que esses ajustes forem feitos, a geração distribuída se tornará uma das principais fontes de geração de energia no Brasil. A AES Tietê tem interesse em participar desse crescimento, que será bastante robusto, principalmente no fornecimento de serviços para clientes comerciais e industriais.

QUAL A ESTRATÉGIA DA AES TIETÊ EM RELAÇÃO A FONTES DE ENERGIA COMO A SOLAR E A EÓLICA?

A AES Tietê tem duas linhas estratégicas. A primeira é a geração centralizada, com grandes projetos de energias renováveis, como a eólica e solar. A segunda é a linha de geração distribuída, principalmente de energia solar, com pequenas fazendas de até 5 megawatts, a chamada energia gerada no teto das instalações, além de microcentrais hidrelétricas, e também pequenas usinas de cogeração, onde você tem geração de energia elétrica e geração de calor ou frio, dependendo do processo do cliente.

QUAL O RECADO PARA O EMPREENDEDOR QUE QUEIRA CRIAR ESSE FUTURO COM A AES?

O setor elétrico é muito regulado. Portanto, é preciso esforço e compreensão de como se movimenta a questão da regulação. Quando o empreendedor desenvolve uma tecnologia nova, um processo inovador, é sempre interessante que ele esteja envolvido nessa dinâmica. Uma forma mais fácil de fazer isso é através de uma empresa do porte da AES, que tem um papel importante no setor elétrico brasileiro e ajuda também a criar a regulação no setor. Então, se você está ao lado de uma empresa que tem influência, é muito mais fácil promover a tecnologia. Queremos enfrentar essas mudanças de comportamento do mercado junto aos clientes, fornecer soluções eficientes e diferenciadas, que tragam valor a toda cadeia. Para isso, disponibilizamos muitos recursos ao empreendedor.

NA SUA VISÃO, QUAL O PRINCIPAL ENTRAVE PARA O BRASIL INOVAR?

Um grande exemplo de um projeto de incentivo à inovação bem-sucedido é o programa de P&D em funcionamento hoje no setor elétrico. O programa fomenta a inovação nas universidades e instituições de pesquisa, e vemos uma grande quantidade de estudantes de mestrado, graduação e doutorado buscando se desenvolver e utilizando essa ferramenta como suporte. Então, usar um exemplo como esse em outras áreas  da indústria brasileira seria um grande apoio à inovação no Brasil, ou seja, investimento nas universidades e nos centros de pesquisa, para que a inovação possa retornar a essa indústria. Acho que a falta desse sincronismo é o que trava a inovação no Brasil.

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