COCRIAÇÃO

Plataforma de IoT torna sua cozinha mais inteligente

Sexta-feira, 3 Março de 2017

Quanta energia se perde a cada vez que a porta da geladeira é esquecida aberta, depois de um lanchinho noturno? Com o equipamento convencional, é difícil de medir. Ainda mais calcular o impacto desses deslizes na conta, no final do mês. Seria preciso cruzar o número de vezes em que a porta foi deixada aberta com uma estimativa de quanto se perdeu de eficiência com o ar frio que escapou. Considere a dificuldade em obter números precisos dessa operação sem a tecnologia adequada. Não é um cálculo fácil de se fazer com lápis e papel.

Apesar disso, esta é uma conta importante. E não apenas no caso da geladeira. Considere a quantidade de equipamentos eletrodomésticos que uma pessoa tem em casa. Ao longo dos anos de uso,  muitos deles sofrem com desajustes e falhas, tanto de manuseio quanto de fabricação. Todas essas perdas de eficiência têm seu impacto sobre o consumo de energia no fim do mês. Pense, em um ano, quanto não seria poupado caso esses “vazamentos” fossem corrigidos.

Esta é uma das maneiras como a Internet das Coisas (ou IoT, na sigla do inglês) pode ajudar o consumidor. O termo se refere à tendência crescente de conectar todo tipo de aparelho, de cafeteiras a congeladores, à rede. Sensores com diversas funções, instalados nessa nova geração de utensílios,  ajudam a produzir uma “inteligência de uso” que pode ser transmitida pela web, interagir com aplicações online criadas por startups, e ajudar o usuário a administrar melhor seu consumo. No exemplo da geladeira aberta, medidores de iluminação e temperatura seriam capazes, se associados ao software adequado, de responder à questão do desperdício.

“A IoT é uma consequência de toda a tecnologia que foi discutida até hoje sob outros nomes, como a domótica (ou automação residencial)”, diz Ricardo Kahn, gerente de inovação da AES. Mas houve uma expansão do conceito. “Hoje existe conectividade ubíqua, por meio redes Mesh, Bluetooh, 5G e outras. Os sensores e devices vêm conectados por padrão, e a um custo mais baixo”, diz Kahn. Por essa razão, o gerente explica, este é o momento para que o assunto esteja na mesa de discussões de uma empresa no segmento de energia. E a AES tem investido em soluções que sejam capazes de trazer os benefícios da IoT para as casas das pessoas e além.

Na visão da empresa, esse processo começa pelo desenvolvimento do smart grid, ou sistema inteligente de distribuição elétrica. O smart grid utiliza uma série de equipamentos tecnológicos, como relógios inteligentes (smart meters) e outros elementos de rede para racionalizar a distribuição e o consumo de energia. “A raiz do smart grid é o relógio inteligente”, diz Kahn. “Ele pode se comunicar com uma geladeira, por exemplo, para entender o padrão de consumo dela, ajudando o cliente e a distribuidora a optar por atitudes melhores.”

Essas informações trafegam por meio de sinais de rádio (RF Mesh) e pela própria rede elétrica (PLC), conforme explica Antonio Almeida, gerente de engenharia da medição e de smart grid na AES.  “Dentro desses relógios temos tudo o que precisamos para fazer uma medição avançada”, diz Almeida. Um projeto piloto da AES em Barueri vai instalar 62 mil smart meters, em um esforço para cobrir 80% dos usuários da cidade, junto a equipamentos de autoconfiguração de rede e transmissão inteligente. “O smart grid é a base da infraestrutura de comunicação”, diz Almeida. “A partir dela, podemos desenvolver semáforos inteligentes, iluminação e até controle de lixo. São vários dispositivos conversando entre si, agregando diferentes serviços. Essa é a Internet das Coisas.”

Além do hardware, outro elemento essencial desse conjunto é a plataforma de software. Nela, rodam as aplicações (apps) que se comunicam com os sensores e equipamentos de rede. A AES optou por uma solução aberta, a Eu.Genio da PromonLogicalis. “Com o big data conseguimos criar uma inteligência de dados. Podemos, por exemplo, usar um sistema de desagregação de carga para medir o consumo de cada eletrodoméstico em uma residência e gerar inteligência a partir disso”, diz Lucas Pinz, da PromonLogicalis.

E muitas startups já atuam no sentido de criar esses serviços conectados, que podem ser implementados sobre a plataforma. Um exemplo é a Áudio Alerta, que faz monitoramento urbano por meio de sensores de ruído. Já a Net Sensors criou um bueiro conectado que avisa no caso de entupimentos. “Há um milhão e trezentos mil postes na região metropolitana de São Paulo, e eles poderiam ser equipados com sensores de estacionamento, chuva, luminosidade, todos conectados por redes Mesh e Wi-Fi público”, diz Kahn.

Além desse foco nas ruas no longo prazo, a AES também oferece soluções de IoT e eficiência energética para empresas, em parceria com a PromonLogicalis. O objetivo é a criação de um “cardápio” de serviços que ajudem os negócios, grandes e pequenos, a gerir melhor o seu consumo energético. Para fazer isso, a empresa também usa sensores e inteligência de software. “Existe uma preocupação cada vez maior em reduzir o consumo de energia”, diz Lucas Pinz da PromonLogicalis. “E a utility possui esse compromisso com a eficiência e a redução de consumo. Existe uma demanda para isso.”

A escolha da AES por uma plataforma aberta reflete a visão da empresa de que a IoT deve ser apropriada por todos, tanto no uso quanto no desenvolvimento de soluções inovadoras.  Em outubro, por exemplo, durante a feira de telecomunicação Futurecom, alunos da EMEF Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira participaram de uma oficina em que puderam idealizar e trabalhar em protótipos de dispositivos ligados à eficiência energética. O objetivo do workshop foi demonstrar que a IoT não está restrita apenas aos laboratórios de grandes corporações, e que esta é uma tecnologia acessível, que até mesmo uma criança pode programar. Com a diminuição das barreiras, é possível estabelecer uma plataforma aberta, baseada na cocriação. “Existe um repertório muito grande de ações”, diz Kahn.

“A Internet das Coisas é a próxima vanguarda tecnológica, e caminha em direção ao desenvolvimento de uma inteligência na qual não vamos precisar colocar as mãos”, diz Clara Bidorini, do time de inovação da AES. “Ela vai surgir automaticamente em nossas vidas, e ampliará nossas capacidades tecnológicas, a capacidade de alcançar resultados altamente desafiadores no dia a dia.”

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