COCRIAÇÃO

“Não se inova com as portas fechadas”, diz gerente AES

Sexta-feira, 24 Fevereiro de 2017

Na noite de uma quarta-feira de novembro, após falar sobre a estratégia de inovação da AES para um grupo de empreendedores e jornalistas na sede da aceleradora Wayra, em São Paulo, o gerente de inovação Ricardo Kahn se viu cercado por pessoas interessadas na visão de cocriação da empresa. Entre elas, dois rapazes do polo de inovação Porto Digital, de Recife, curiosos sobre o que tinham ouvido alguns minutos antes. “Não se inova de portas fechadas”, disse Kahn durante seu pitch. “Na AES, estamos dando prioridade à cocriação. Convidamos startups para criar junto.”

Nos últimos anos, o mercado de energia vem passando por grandes transformações, e diferentes tecnologias convergem para a desconstrução de antigos modelos. Nesse cenário, inovar se tornou mais que um verbo de efeito, ou uma buzz word, no jargão do mercado de startups. Tornou-se uma necessidade básica para empresas que buscam sobreviver nesse futuro em construção. Internet das Coisas, veículos elétricos e geração distribuída são alguns dos direcionadores, assim como eficiência energética, considerado um dos mais promissores. E a AES vem há alguns anos se preparando para surfar nessa onda.

Pois não é apenas a tecnologia que mudou. Além das novidades exploradas pelo setor de pesquisa e desenvolvimento, os modelos de negócio também precisaram se adaptar. O modo como uma organização se comporta e encara essas mudanças precisa estar alinhado com os novos tempos. Uma estratégia se faz necessária.

Foi nesse contexto que surgiu a AES Brasil Inovação, uma plataforma que estimula dentro do grupo, em suas diversas empresas, a busca constante por soluções inovadoras. Ela também estabelece uma tática de cocriação com parceiros de fora, convidando startups, universidades e instituições de ensino, investidores e corporações de outros setores para fazer junto.

“Passamos a ver a inovação como parte da estratégia da empresa, um elemento no topo da lista de prioridades”, diz Kahn. “A plataforma funciona como um guarda-chuva que utiliza vários veículos para inovar. A área de pesquisa e desenvolvimento é um desses veículos, assim como outras empresas do grupo: a AES Tietê, com sua unidade de novas energias, geração distribuída e energy storage, e a AES Ergos, de soluções de energia. A plataforma de inovação não é dona desses veículos, mas pode orientá-los.”

Uma das primeiras e principais iniciativas, considerada estratégica para essa visão de futuro, é a aceleração de projetos. Em vez de atuar como uma aceleradora normal, que investe em startups, a AES Brasil Inovação desenvolveu seu próprio modelo inovador de parcerias. Primeiro, ela abriu chamada para que empreendedores enviassem suas propostas de projetos, que oferecessem soluções dentro dos 5 direcionadores tecnológicos que norteiam sua visão de futuro da energia: internet das coisas, veículos elétricos, geração distribuída, energy storage e eficiência energética. A partir daí, iniciou um processo de seleção que culminará na escolha de dois vencedores. Eles receberão R$ 500 mil em investimento e, talvez ainda mais importante, terão acesso aos ativos da da AES para auxiliar no desenvolvimento do projeto. “Uma empresa que trabalha com sensores pode se beneficiar dos nossos 1 milhão e 300 mil postes, por exemplo”, diz Kahn. Os reservatórios, eletricistas e veículos da empresa são outros exemplos colocados à disposição. Além disso, o time ainda receberá mentoria da aceleradora Liga Ventures e apoio tecnológico do SENAI. Tudo com o carimbo final da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

“Essa iniciativa é o resultado de uma mudança de paradigma”, diz Alessandro Oliveira, gerente de programas de P&D e eficiência energética da AES. “O primeiro passo da reformulação foi o lançamento dessa iniciativa, e o grande desafio foi construir um modelo 100% aderente às regras da ANEEL, mas que ainda trouxesse junto todo um ambiente de inovação.”

“A mudança do mercado está muito rápida, com inovações tecnológicas e de modelos negócios”, diz Carlos Alberto Pereira Coelho, supervisor de inovação do SENAI. “Veja o Uber, por exemplo. Tecnologicamente, não é uma empresa tão avançada. Mas foi pioneira em um modelo de negócio.”

E os olhos da AES Brasil Inovação não estão voltados apenas para fora. Entre as iniciativas direcionadas ao cultivo de uma cultura de inovação dentro do grupo estão os treinamentos em Design Thinking, uma metodologia popular entre startups e no mercado de tecnologia que busca ampliar o entendimento de problemas, ao abordá-los a partir de uma perspectiva mais abrangente, completa e criativa. Nos últimos dois anos, mais de mil pessoas foram treinadas no método, um exemplo do impacto que a iniciativa pode alcançar.

“Hoje, inovar é um questão de sobrevivência”, diz Renato Valente, da Wayra. “Ou você faz ou você faz.” Durante o encontro na sede da aceleradora, da qual a AES Brasil participou, foi discutida a forte tendência que existe hoje nas grandes corporações de aproveitar a agilidade e expertise das startups. Assim, elas buscam encontrar soluções inovadoras para os problemas estratégicos que afetam suas operações. Cada uma delas tem experimentado modelos diferentes. E o modo como a AES escolheu fazer isso é por meio de uma estratégia aberta, de cocriação, que se aproveita dos numerosos ativos da empresa para impulsionar a criatividade e expertise dos empreendedores.

“Acreditamos que a inovação não se faça sozinha”, diz Kahn. “Quando falamos de novos modelos de negócio, precisamos trabalhar com a inovação aberta. Vamos criar uma nova energia juntos.”

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