NA AES

AES treina colaboradores para inovar na prática

Sexta-feira, 3 Fevereiro de 2017

A jovem Ingrid Dantas, de 23 anos, possui cargo de assistente na área  de gestão e controle da AES Ergos. Ela cuida da emissão de notas, reembolsos e outros processos administrativos. Mas, nos últimos meses, sua rotina mudou. Ela foi uma das integrantes de um grupo dentro da AES que desenvolveu o protótipo de uma bateria que, acoplada a postes de iluminação pública, seria capaz de garantir luz mesmo na ocorrência de uma queda de energia. A ideia surgiu durante o treinamento em inovação e design thinking promovido pela AES, um programa que busca dar a seus colaboradores ferramentas para que eles vivenciem a inovação na prática.

“Gostei muito do treinamento, pois agregou valor e conhecimento para mim”, diz Ingrid. “Saí totalmente da minha área, e consegui ver o negócio de forma mais ampla, além do que enxergo no meu dia a dia.”

Muitas empresas têm o objetivo de tornar a inovação parte do cotidiano de seus colaboradores. Elas buscam desenvolver uma cultura inovadora que ajude a corporação a atravessar os atuais tempos de mudança, e todos os desafios que eles trazem consigo. Mas como fazer isso? Um dos meios utilizados pela AES Brasil Inovação para atingir esse objetivo dentro do grupo foi justamente a criação dos laboratórios de design thinking.

“Os treinamentos foram criados para atender a um dos pilares da promoção de cultura de inovação na AES”, diz Fatima Molina, especialista em gestão da inovação da AES Brasil. “Entendemos que tínhamos que desenvolver pessoas para pensar de forma diferente, e precisávamos trazer ferramentas para que isso acontecesse.”

O programa começou em 2013, fruto de uma parceria com a empresa de consultoria estratégica Ekantika, que ajudou na implementação da metodologia. “As empresas tentam colocar a inovação no centro do negócio, mas muitas vezes esquecem que é preciso formar pessoas, auxiliá-las a aprender a inovar”, diz Viviane Salyna, sócia-fundadora da Ekantika. “A vantagem do design thinking é que ele oferece uma abordagem para inovação com etapas bem definidas.”

Essas etapas são: imersão, ou inspiração, ideação e prototipagem. Cada uma delas conta com suas próprias ferramentas auxiliares. Na fase de imersão, por exemplo, o colaborador é convidado a fazer uma pesquisa sobre o problema, buscar benchmarks, ou referências de excelência, e fazer o chamado desk research, um levantamento de dados. Na ideação, possíveis soluções são levantadas e discutidas em brainstorms. Por fim, na última etapa, protótipos são produzidos, valendo desde maquetes com peças de montar até o mockup de um aplicativo. “O design thinking ajuda o colaborador a inovar de forma estruturada”, diz Viviane.

A partir dessa premissa, a AES desenvolveu uma série de módulos para seus treinamentos, que compõem uma estratégia única de equipar os colaboradores com instrumentos que os ajudem a inovar em suas respectivas áreas.

O primeiro módulo é composto por workshops voltados à liderança da companhia, onde executivos de outras empresas são convidados a participar de encontros no estilo painel. Nessas ocasiões, os palestrantes oferecem aos participantes sua percepção sobre o mercado, assim como sobre temas ligados à inovação. Representantes da Tecnisa e da Magazine Luiza foram alguns dos convidados.

As outras três categorias de treinamento são voltadas ao design thinking e todos os níveis hierárquicos do grupo são convidados a participar. São elas:

1 – Laboratórios de design thinking, focados em prototipagem. Esses treinamentos duram um dia, quando turmas de 50 a 60 pessoas são introduzidos à metodologia. É explicado como o método funciona, e o grupo recebe o desafio de desenvolver protótipos a partir de projetos pré-estabelecidos. “A ideia é transmitir a metodologia de forma mais macro, para que possamos vivenciá-la”, diz Fatima.

2 – Workshops de ideação, que duram até cinco dias espalhados ao longo de um mês. “O objetivo é sair com ideias”, diz Fatima. O time responsável pelo treinamento sugere um tema ao grupo, geralmente menor e mais especializado. Por exemplo: foi montado recentemente um workshop desse tipo focado em segurança. “Às vezes, trazemos pessoas de fora, se não for um tema estratégico”, diz Fatima. Neste caso, o produto final são ideias para o tema proposto.

3 – O programa de formação de Multiplicadores, destaque da série de treinamentos pelo seu potencial de espalhar a cultura de inovação pelo grupo em um efeito cascata. Ele dura aproximadamente três meses, com cinco grupos de até 30 pessoas. Durante as interações, conteúdos relacionados à metodologia são transmitidos, e os colaboradores têm a oportunidade de passar pelas três etapas do design thinking: inspiração, ideação e prototipagem.

Os cinco direcionadores tecnológicos da AES servem de base para que os grupos escolham os temas de seus projetos, sendo eles eficiência energética, energy storage, veículos elétricos, geração distribuída e internet das coisas. Assim como nos módulos anteriores, a metodologia é explicada antes de os participares colocarem a mão na massa. Ao final do processo, os protótipos desenvolvidos pelos grupos são apresentados durante a feira Multiplicadores, promovida pelo time da AES Brasil Inovação. Nesse momento, os participantes recebem suas certificações pelo treinamento.

O projeto da bateria de Ingrid Dantas foi um dos que participou da última turma do programa de Multiplicadores. Além dela, Eduardo Fagundes, gerente de serviços da AES Eletropaulo, também recebeu treinamento. Ele trabalha na empresa há 17 anos e diz que o programa o ajudou a arejar as ideias. “Meu grupo trabalhou eficiência energética”, diz Eduardo. “Buscamos criar um modelo que atendesse ao varejo. Para isso, projetamos kits de eficiência que abrangem lâmpadas, sistemas de refrigeração e outros. Foi uma experiência de abertura da mente.”

Já o grupo de Pablo Matos, business partner de TI para a AES Ergos, partiu da seguinte pergunta: como diminuir os gastos em comunidades de baixa renda por meio da eficiência energética? Ele e seus colegas desenvolveram o projeto de um sistema, que inclui um aplicativo de celular, que ajuda o usuário a identificar as maiores fontes de consumo da residência, por meio de um sistema de simulação e de uma possível tomada inteligente conectada aos utensílios domésticos. Tudo é apresentado na forma de protótipos capazes de ilustrar as ideias ao público.

“A ideia é que o colaborador aprenda a utilizar a ferramenta e aplique em sua área, espalhando-a. Pedimos que os participantes façam a disseminação”, diz Fatima. Estima-se que uma turma de 20 pessoas tenha um impacto em 300 colaboradores por meio desse processo. As candidaturas são feitas pela rede interna, sem restrições de cargos. No ano passado, mais de 600 pessoas foram treinadas e neste ano foram mais de 400. O time da AES Brasil Inovação considera o projeto um sucesso, e isso pode ser atestado pela alta procura. Existe até uma fila de espera com interessados em participar das próximas turmas.

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